Showing posts with label diário de campanha. Show all posts
Showing posts with label diário de campanha. Show all posts

28.3.09

The right stuff



(...) Portanto, tendo em conta o que lhe disse, como se chama um agrupamento de palavras, ou lexemas, como este? É uma combinatória lexical. Óptimo, não se esqueça da terminologia, voltaremos a ela, entretanto, esta sua combinatória em particular, parece-lhe acertada? Não. Porquê? Porque não é comum, tem uma formulação imprecisa e não serve o propósito que devia servir. Nomeadamente? Nomeadamente que o leitor percebesse a minha argumentação, este é um texto expositivo. Certo. Não se esqueça de que as combinatórias existem por uma razão: elas possuem uma função, que é a de facilitar a compreensão e a empatia com o leitor; por isso deve para já usar combinatórias que sejam familiares e não estas 'coisas' que escreve, mas isso só por si não basta, certo? Certo, as combinátórias devem ser correntes mas necessitam também de ser coerentes para com o sentido comunicativo que ajudam a concretizar. Correcto. Bom, combinatórias lexicais já está e ainda temos tempo para fazer umas flores, viu que combinatória feliz? Vi, senhor Lúcio, "fazer umas flores", mas, hum, é pouco comum. Funciona ou não? Funciona. Isso, fazer umas flores, habitue-se às combinatórias lexicais e a pensar nelas antes de escrever porque a elas voltaremos nas suas próximas dissertações. Como ainda temos 20 minutos, passemos agora para as cadeias referenciais; inicia este parágrafo utilizando a palavra, o lexema, já agora, «esta». O que é e para que serve o lexema «esta»? É um pronome demonstrativo. Muito bem. Para que serve? Serve para demonstrar algo relativo ao nome. É por aí, é por aí, mas, em linguística funcional, os pronomes demonstrativos, esta, aquela, esse, etc, enquadram-se numa categoria de lexemas mais abrangente cujo conhecimento e domínio é fundamental para a coesão de qualquer texto. Devidamente enquadrados e interligados entre si, os referentes constituem uma CADEIA REFERÊNCIAL. Já lhe explico. O pronome «esta» é um REFERENTE da cadeia referencial. Tem como intuito fazer referência a algo sobre o qual falou no parágrafo anterior e que pretende retomar no presente páragrafo. Então, e em relação ao parágrafo anterior, onde fala de tantas coisas e de tantos atributos das coisas, a que é que o lexema «esta» se refere, ao certo? Explique-me, sou todo ouvidos... (...)

26.3.09

The right stuff



Então, Jorge, na sua opinião do que acaba de ler quais são as marcas que definem o 'estado de espírito' do narrador, do sujeito poético, não se esqueça dessa, do texto que acaba de ler?.. Significa um insulto, senhor Lúcio. Um insulto, hmm. A quem, onde, como e porquê? Um insulto a Camões, na Lisboa do século XVI, porque escreveu uma obra controversa e como não sei, tinha inimigos, senhor Lúcio. Muito bem. Diz você que é um insulto mas, baseado no texto, essa era a pergunta, exemplifique Jorge, exemplifique. Tem cinco minutos a partir de agora.

18.3.09

The right stuff



Bom, já que chegámos até aqui, faça-me um favor, leia esta frase que escreveu, mas em voz alta. Sim, senhor Lúcio: «Estes são exemplos que nos fazem viver, pois sugerem-nos algo, que nos posicionam a mente, de certa forma limpa.» Não acha que há algo aqui que não bate certo? Senhor Lúcio, então, os exemplos do texto fazem com a gente pense da forma mais correcta! Pois, mais ou menos é isso, mas enfim; e, gramaticalmente, não há nada nesta frase que escreveu que o perturbe?.. Tem razão, senhor Lúcio, não há concordância de número... Onde, meu caro, assuma-se como o homenzinho que é e que vai entrar na faculdade pelo menos com 16 valores a português!.. Desculpe, senhor Lúcio, onde é que errei, senhor Lúcio?.. Calma meu rapaz, peço-lhe desculpa, é um erro que todos cometem, desculpe o facto de às vezes ser tão cáustico consigo, é porque deposito imensas esperanças em si, continuemos, quero que me diga onde errou.

No verbo, senhor Lúcio?.. Não lhe vou dizer que sim ou que não. Explique-me, quero a sua explicação para esta burrada. Ó senhor Lúcio, eu acho, senhor Lúcio, que escrevi mal o tempo verbal, é isso? Bom, então, como é que se escreve o tempo verbal de forma correcta, meu caro? Escreve-se assim, senhor Lúcio: «Estes são exemplos que nos fazem viver, pois sugerem-nos algo, posicionam-nos a mente, de alguma forma limpa.» Muito melhor meu rapaz, muito melhor; como estamos de leituras: já leu o «Memorial do Convento»? Não tive tempo, senhor Lúcio, depois da festa estive com a minha namorada e ela acha que isto é perder tempo, desculpe senhor Lúcio.

Não teve tempo? Andava aos beijinhos, não é? Cale-se, não se enterre mais meu caro... Bom, sabe quando é o exame, não sabe? Sei, o senhor Lúcio já disse-me. Já lhe disse, meu caro, já lhe disse, caramba, deixe-se de merdas, quer ou não entrar na faculdade? Quero senhor Lúcio! E como é que se se escreve já lhe disse?.. Diz-se «já me disse», senhor Lúcio.

Muito bem. Aqui tem o seu trabalho de casa. Acha que estou melhor, senhor Lúcio? Depende, essencialmemente depende de si e... tenho uma útima pergunta antes de terminarmos a fazer-lhe: ouça lá, gosta da sua namorada?..

Gosto, senhor Lúcio! É bonita? Pode falar à vontade, tudo o que aqui fala fica entre nós. É linda, linda demais senhor Lúcio, ela é da Filarmónica, foi miss lá da terra e tudo e é minha! Tem sorte Pedro, tem sorte, mas nunca deixe as mulheres gerirem a sua vida, sim? O que quer dizer com isso, senhor Lúcio? Ouça lá, quando foi a última vez que «posicionou» a «mente» da sua namorada?.. Posicionar a mente da minha namorada, senhor Lúcio, eu não faço isso, não percebo. Você não posiciona mentes?.. Não senhor Lúcio, nem percebo que isso quer dizer! Nesse caso, diga-me porque é que escreveu que «estes são exemplos que nos fazem viver, pois sugerem-nos algo, que nos posiciona a mente»?

Alguma vez se lembrou de posicionar uma mente que fosse? Responda! Que merdice vem a ser esta?.. Está armado em intelectual nos trabalhos de casa?..

Tem razão, senhor Lúcio. Ainda bem que percebe, e... o que é que vai fazer? Acho que nunca mais vou «posicionar mentes», senhor Lúcio. E... que mais? Erros de concordância, senhor Lúcio, nunca mais vou dar erros de concordância. Nem mais, acertou. Aqui tem um «extra» ao trabalho de casa, até sexta.

17.3.09

Spicing up


Boa tarde, entre, entre, o seu fim-de-semana, foi bom? Foi senhor Lúcio, fui àquela festa de que lhe tinha falado, que andava a organizar na minha terra, fui o mordomo. Óptimo, óptimo, deve estar contente e isso quer dizer que está no ponto ideal para receber as más notícias que tenho para si... Más notícias, senhor Lúcio? É verdade, é verdade, notícias muito desagradáveis sobre o seu trabalho de casa, se é que o posso designar assim, feito no joelho, não é? Senhor Lúcio!.. Acalme-se, nada está perdido, o mensageiro não tem culpa e já lá iremos, já lá iremos, sente-se.