9.12.06

Ida ao dentista



Hoje acordei só.

Acordei com a alma negra e suja
Como o carvão.

Com o cérebro em chispe de feijoada
D’absinto.

Com sentimentos de utopia, palavras d’alegria
Como a Liberdade.

Com o rei da rosa submerso no Mar
Dos espinhos.

Com promessas perdidas no regaço da dor
Como o Amor.

Com os olhos D’Ásia através das oliveiras
Do Tempo.

Com segredos e mentiras num peixe da Lua
Como a Loucura.

Com uma certa fadiga, inquieto rebelde
Do excesso.

Com o azul infinito dos teus olhos
Como o diabo.

Com um cigarro amarelado de medo
Da morte.

Como as folhas de Outono a cair
Como a Vida.

Hoje acordei só.
E, pior do que tudo,

Com uma execrável dor de dentes!