21.2.09

18h45



Tinha bebido imenso naquela noite, bagaço, vinho tinto, aguardente velha, eu sei lá, sentia-me perdido, mas ao mesmo tempo estava consciente de que o que não mata engorda, sabia que não iria morrer embora o passar do tempo, ultimamente, tornasse cada vez mais doloroso manter os olhos abertos. Contudo, naquela noite, nunca me sentira tão sóbrio.

Então, recordei ter pegado no Hel num bar e, com a ajuda de uma miúda, gira, engraçada, levá-lo até à casa, numa viagem de noite e de carro, até uma casa escondida num matagal verdejante, mesmo na intersecção que dá para a serra de Sintra, perto do Castelo dos Mouros.

Agora, ali estava eu, numa cama que desconhecia, lençóis de flanela, em casa do Hel, à espera talvez duma sua prima afastada, retida quando a noite não passava duma mentira feita de sombras pardacentas que me enevoavam a razão e ao mesmo tempo me faziam sentir - no íntimo - que aquela era uma noite de resoluções de vida e de morte, até para prima ausente, à medida que fizera o R7 do Hel galgar quilómetros a fio na auto-estrada que dava para a quinta dele. Que dia era?