
11.2.09
Me and the blond

What da fuck?

Pensamento do dia

No princípio do Verão de 1942 a terceira ofensiva de Rommel em África atinge o paroxismo. A 28 de Maio, na frente de Gazala, entalado entre campos de minas, a 150ª brigada de infantaria e as 2ª, 22ª, e 4ª brigadas blindadas inglesas, o Deutsches AfrikaKorps, carecido de munições e de água, parece perdido… Teria Rommel cometido o erro fatal? Efectivamente, não. Na mesma noite, o alemão iria dar mais uma prova do seu génio; correndo um risco terrível ordenou aos seus sapadores que abrissem um corredor e fez recuar o DAK para lá dos campos de minas. E, uma vez mais, os tanquistas ingleses, lançados na perseguição, caíram sob os canhões 88 que Rommel havia mantido de reserva… Durante dois dias, foi um atirar aos coelhos… Uma autêntica carnificina. A 3 de Junho o VIII Exército inglês deixara praticamente de existir e as guardas avançadas dos panzers de Rommel precipitavam-se em direcção a Tobruque e, mais para leste, também em direcção ao Cairo. Nunca aí entrariam, mas isso é outra história.
Got fucked
10.2.09
Eureka

Estou a ter uma ideia. Sinto-a ganhar forma, contornos, especificações, pré-requisitos. E que bela que me parece esta ideia. Não é lá muito original, já sabem que a minha mente, à semelhança da maior parte das vossas, funciona basicamente por raciocínio analógico; quer dizer, é uma ideia original para Portugal, já se começou a fazer lá fora, aqui não tenho pontos de referência mas, se lá fora fazem… Isto, embora, mesmo que lá fora os resultados permaneçam ambíguos, para utilizar um adjectivo mais ou menos «neutral».
Que ideia do caraças. Com o tempo e com dedicação da minha parte, esta ideia pode ajudar-me a resolver uma data de problemas. Pode ajudar-me a fazer aquilo que mais gosto de fazer e a ter o suficiente para o poder fazer sem ter de olhar para o lado à procura de meia dúzia de tostões para comer ou para fumar os cigarros que me alimentam as ideias. Esta ideia pode também ajudar outras pessoas a terem um quotidiano melhor, o que é sempre subjectivo, bem o sei, mas, dentro dessa subjectividade, é uma ideia que pode ajudar outras pessoas, dar-lhes um pouco de gratificação, um pouco de prazer fora do ramerrame das suas existências quotidianas. Afinal, quem não gosta de sonhar? Quem não gosta de sair de si? Quem não gosta de «viajar»?
Terei a ousadia de levar a ideia à prática? E se for um fracasso? E se falhar miseravelmente e ainda por cima for alvo de chacota? Falhado já eu sou, sempre fui, mas alvo de chacota… Isso era bem pior, pelo menos, apesar de falhado, ninguém faz chacota de mim, sinto que há um certo respeito pelo meu falhanço pessoal, um pouco como se pensassem: este tipo tem talento, é uma pena…
Agora a chacota? Bem, no fundo não seria «eu» pessoalmente que seria alvo de chacota, seria ele, o «Lúcio». Mas não serei eu, o tipo que está a ter a ideia, pelo menos em parte, minto, em larga medida, uma personagem de ficção que eu próprio criei e que às vezes parece ter vida própria, o tal do Lúcio Ferro?..
Depois, há uma outra questão ainda, se desenvolver a ideia e a levar à prática, é certo que poderei (um grande mas) obter benefícios de que necessito com urgência, contudo, mesmo se assim for, é certo que com estes virão também responsabilidades e deveres, numa palavra, «constrangimentos», pouco importando serem auto-impostos ou não, estes passarão a desempenhar um papel chave na minha acção e até que ponto não serão esses «constrangimentos» conflituantes com as minhas ambições criativas?
Até ver, estas desenvolveram-se com um único «constrangimento»: tentar alcançar o melhor desiderato possível aos meus olhos e aos meus olhos apenas; não que viva no vácuo e que não me importe o que os outros pensam, bem pelo contrário, é também ponderando as suas opiniões que tento «melhorar» a minha acção, só que, em última análise, sendo a acção criativa das mais solitárias que conheço (isso e bater uma), cabe-nos a nós escolher, decidir, apostar, mesmo quando o fazemos contra a maré vigente.
Se desenvolver a ideia, será que essa liberdade de escolha não ficará coarctada?
Disse Mussolini, entre outras barbaridades mais ou menos acertadas, que era preciso ousar: «Ousar é uma necessidade humana» e viu-se como acabou Mussolini. Sim, não sou Mussolini, nem sequer tenho perfil de Rolão Preto, quanto mais, mas… E se eu ousasse?
9.2.09
Ana Drago
Obviamente, não vai ser hoje, nem amanhã, nem depois de amanhã. Não quero que julgue que sou tarado. Não a quero assustar, pois, nem a quero intimidada, como às vezes a observo no hemiciclo (coisas de quem visita uma casa de meninas na avenida D. Carlos), não, quero-a tal como é, de griffe e com a sua pseudo rebeldia pequeno-aburguesada. Quero papá-la assim, todinha, por inteiro, tal e qual é, petite and skinny e, sem desfazer, talvez tomá-la nos braços e ensinar-lhe uma coisa ou duas acerca do amor.
O Blogue do Vício

É um dos blogues do companheiro Vício, se é que a informalidade me é permitida. Grande bem haja.
What da fuck?

Tou, Lúcio? Olá, sou eu! Oi miúda, tá tudo? Tudo bem, olha, amanhã vou a Lisboa e vou dormir a tua casa… Vais? Vou, sim, tu é que convidaste, lembras-te?.. Sim, sim, claro… Mas sabes, não tou em casa nem penso regressar amanhã… Parvo! Telefonaste na sexta de madrugada, acordaste-me, a convidares! Eu já tinha feito planos para ficar na casa da minha amiga, alterei tudo por tua causa!.. Pronto, pronto, não se fala mais nisso, podes ir lá dormir, vou já ligar ao meu hóspede para te abrir a porta e… Estúpido!
8.2.09
Going bazurk
7.2.09
The R6 came through

E regressámos, só eu e ele, quarenta quilómetros a 10 mil rotações, devagarinho, uma hora e vinte, até à casa verdadeira e o R6 cumpriu com garbo e talento - se não o tivesse feito, não estaria aqui a escrever, estaria na rua, cheio de frio, à procura dum telefone para ligar à assistência em viagem ou lá como se chama essa merda.
Tudo isto, mind you, com quatro litros que teria no depósito e outros quatro que lhe dei a beber entrementes. 170 quilómetros ao todo. É obra.
Álcacer do Sal - Fevereiro

6.2.09
Bom fim de semana

E é suposto viver um tipo como eu assim até segunda-feira, altura em que, note-se, receberei dinheiro que me permitirá pagar todas estas «extravagâncias» deste fim de semana, um fim de semana de epicurismo puro.
Pois é, uma chatice, no Darfur, em Gaza e no Zimbabué é bem pior, só que eu não sou nem darfuriano, nem ganzadiano (ora aí está uma outra lacuna grave, gravíssima, come to think about it, na minha economia recente), nem vivo sob a ameaça dum ditador senil. Não, vivo na Europa. Não é verdade?
Cheers!
4.2.09
What da fuck?
Quando deixar de ser parvo e conseguir fingir amizade por mim, fingir que quando está comigo nem lhe apetece sequer foder buceta que não minha, visto uma saia vermelha e umas meias de liga, de rede, calço umas botas pretas, de cano e salto pingolim, encosto-lhe à parede e faço-lhe um broche de rua, como sei que gosta. Até lá...
2.2.09
O homem vestido de preto

Em homenagem a Fernando Gaspar.
Numa noite amena de Dezembro de 1966 franqueou a porta principal do restaurante Adega dos Passarinhos, sito à rua Luís de Sá Pessoa, n.º 17, na Alta de Lisboa, aliás, um dos meus poisos habituais ainda e sempre que me desloco à capital, um homem vestido de preto, um homem que trazia arrastada atrás de si uma sombra misteriosa, inteiramente cerzida de desolação e negrume.
Eu, cliente da casa fazia uns dez anos e à semelhança dos mais antigos criados de mesa do afamado estabelecimento (trata-se de uma tasca que data de 1874 e que albergou em outros tempos memoráveis tertúlias do grupo dos Vencidos da Vida), entre os quais se contavam o sempre afável senhor António Gil, o insofismável apesar da careca senhor Paulo Gomes e o nunca por demais incontornável senhor Teixeira, reconhecê-mo-lo, de imediato.
Nenhum, de nós, no entanto, deu mostras de se lembrar do homem vestido de preto que daquela maneira invadira, bruscamente, abruptamente (porque não dizê-lo), uma noite que até essa altura se anunciara perfeitamente legislada na graça de São Salazar e do bendito clima temperado, tranquila na benesse dos cinco escudos que acabavam de me pagar, enfim, uma noite de Domingo, morna e aprazível, como são e sempre foram desde que me recorde todas as noites de Domingo na Adega dos Passarinhos no mês de Dezembro (interrompo esta narrativa para vos clarificar alguns pontos que, sendo do meu interesse, também poderão um dia vir a ser do vosso: necessário é dizer-vos que o homem vestido de preto era persona non grata da casa, muito embora, pela parte que me toca, e estou cem por cento seguro, pela parte que toca desde os empregados, passando pelas sopeiras da cozinha até à gerência, ninguém dos que ali o conheciam tivesse dele razão de queixa, bem pelo contrário). O homem vestido de preto Sempre pagou as suas contas e resolveu discretamente os seus assuntos particulares, com o superavit de oferecer a todos generosas gorjetas e sem jamais perder a compostura, apesar de ser seu hábito beber em demasia. Contudo, era persona non grata, vá-se lá saber o motivo, e essa certeza bastava para que fingíssemos ignorá-lo desdenhosamente.
Então, o homem vestido de preto, de sapatos brilhantes e lustroso cabelo preto, com a gabardina de couro e as calças de flanela pretas, centrou-se no lobby de entrada da Adega dos Passarinhos, as pernas afastadas e os pés bem fincados no chão, como um tipo que nada tem a perder, armado em duro, como um tipo que desafia o mundo inteiro sem a ousadia ou o descaramento de o dizer claramente, e aguardou, impávido, soberano, que alguém dele se ocupasse.
Coube ao bom do velho Teixeira fazer-lhe as honras da casa; num aceno que guardava para os melhores clientes o idoso Teixeira inquiriu ao homem vestido de preto se desejava jantar ou se vinha por outro motivo.
O homem vestido de preto, reparando melancólico que uma mosca acabara de falecer - como que por acaso - electrocutada no moderníssimo aparelhómetro anti-insectos que o dono da Adega recentemente mandara instalar, acenou afirmativamente e, sem dizer palavra, despiu a gabardina, confiou-a ao pressuroso do Teixeira e foi sentar-se naquela mesa do canto, a única mesa do canto de onde se podia ver tudo e onde quase ninguém se sentava, estranhava eu nesse momento, quanto mais não fosse por nunca me ter lembrado disso, apesar de me considerar sujeito com olho para os detalhes.
Recordo-me ainda de que no aparelho de imagens a preto e branco o Braga dava uma tareia à Académica (o que me convinha a mim e aos da casa, ou não fossem eles e este vosso humilde criado acérrimos simpatizantes do FC Porto). A vinte minutos do fim, parecia o campeonato decidido, quando o Jorge, por demais conhecido como o bêbado do bairro, me chamou discretamente à atenção, «Lúcio, topa ali» (coisa no Júlio extremamente rara), para a mesa do canto onde se encontrava o homem vestido de preto.
Até hoje estou convencido de que se não fosse esse reparo tímido do bêbado do Jorge nunca mais me teria lembrado do homem vestido de preto, do homem de olhos brilhantes vestido de preto que sozinho não via ninguém e ao mesmo tempo parecia vislumbrar o Universo inteiro.
Foi quando o Jorge me desviou a atenção do jogo no qual o meu clube tantas esperanças depositava que me apeteceu dar ao homem vestido de preto um bom par de estaladas.
Porém, não o fiz. Li nos seus olhos algo de indizível, perturbador, angustiante, algo de que até hoje não me esqueci e estou em crer que é esse o motivo pelo qual vinte anos depois senti a necessidade de confiar ao papel este aparentemente prosaico episódio.
Incomodado, virei-lhe as costas, na minha vã determinação de desfrutar de uma noite de domingo normal, apreciando apenas os dribles de Sousa para Zé Miguel, os cortes de carrinho de Frasco, bem como as sempre incompreendidas acções dos bandeirinhas, que todos nós os da Adega dos Passarinhos logo comentávamos, acalorados, imbuídos de uma estranha fraternidade, a qual, como é óbvio, logo e ainda hoje se esfumava mal o apito final do árbitro se fazia ouvir, para apenas regressar no dia seguinte, isto é se a roubalheira fosse de monte.
Em vão, tentei ignorá-lo, dizia-vos, mas pareceu-me impossível regressar ao meu tão singelo e contudo tão elaborado prazer dos domingos à noite do futebol e do verde na Adega dos Passarinhos.
Na altura em que os meus olhos de novo recaíram sobre ele, quase que tinha terminado o seu repasto. Apanhei-o no preciso momento em que o senhor Teixeira, sem qualquer desdém e, até, num modo que me pareceu a mim respeitoso em demasiada, não prestando ao jogo do Braga que tudo decidia a mínima pevide, com uma clarividência que me pareceu por demais estranha, lhe perguntava, atencioso: «O senhor vai desejar mais alguma coisa?..»
O restaurante inteiro pareceu-me parar no tempo, suspenso da resposta do homem vestido de preto. Pareceu-me inclusive que até os que o não conheciam sentiam no ar que algo de grave estava prestes a suceder, embora ninguém pudesse, em abono da verdade, prever exactamente o quê, ou como, ou quem.
Então, o homem vestido de preto replicou, naquela voz grave e seca que todos sem excepção reconhecemos com temor, naquela voz desprovida de qualquer sentimento, naquela voz que era como se fosse a de um homem morto e vivo apenas por segunda ou terceira ou sexta prestação interposta, num sorriso cúmplice que só o Teixeira pareceu compreender: «Hoje, Senhor Teixeira, apenas desejo beber um whisky e prestar atenção ao vosso jogo. Estou de folga, como de costume, sempre que vos venho visitar.»
E, como de costume, o Braga acabou por ser goleado pela Académica. Como de costume, o Porto acabou por perder o campeonato. E, como de costume, as nossas vidas acabaram por perder qualquer sentido nesse momento, sem que eu ou mais ninguém tivesse dado fé de que a história se repetia sempre quando o homem vestido de preto aparecia em público. Mesmo quando estava de folga.
Provavelmente, era por essa razão que o considerávamos persona non grata, era por esse motivo que o odiávamos como não odiávamos a mais ninguém. O homem vestido de preto tinha vindo visitar-nos.
Foto via Promenade du Feu.
O Lado Negro em escavação

Caro habitué,
Passei uma boa parte desta tarde a brincar com o template de «O Lado Negro da Lua» e o resultado é o que pode observar. Na verdade, não estou muito convencido, daí que lhe peça a sua opinião, sem mais rodeios: prefere este modelo ou o anterior? Guardei uma cópia do outro e a cada momento posso reverter.
Tenha uma boa tarde.
1.2.09
What da fuck?..






